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Jasmim desde criança sempre
gostou de brincar, mas com o tempo as pessoas se afastavam dela. Quando não
tinha mais amigos passou a ir em um lugar secreto, o lugar era só dela e
ninguém o conhecia, assim ela esperava. Era um lugar encantador, uma cachoeira
linda! Todas as tardes ao chegar do colégio almoçava, pegava seus livros, rádio
e uma vez ou outra levava lanche também. E lá ficava por horas, ao ar livre,
lendo seus livros, ouvindo notícias do rádio e vendo a natureza ao seu redor.
Ela se divertia.
Um dia ela estava triste, na
escola a menosprezaram mais uma vez. Jasmim não segurou o choro, ao contrário,
chorou mesmo com dor de cabeça. No silêncio suave do ambiente, ouvindo o
barulho da cachoeira ela foi se acalmando. Então começou a falar, pôs tudo para
fora. Ela não queria estar falando sozinha, não queria mesmo, mas quando ergueu
seu olhar viu sua plateia.
A sua frente, muitas pedras
enfileiradas uma atrás da outra e ela teve a sensação de ser observada por
elas, Jasmim se sentiu bem, aliviada e feliz. Descobriu ter novos amigos. Sua
rotina mudou, dia após dia corria para seu lugarzinho secreto, conversava com
seus amigos “Pedras”, não se incomodava de só ela falar era bom desabafar.
Certo dia a professora de
português resolveu se juntar com os outros professores da escola e fazer um
sorteio para o dia do amigo. Todos se empolgaram, menos Jasmim, mas quando
descobriu o que fazer para participar logo se alegrou, seus olhos brilhou e não
conseguiu conter o sorriso! Para participar do sorteio teriam que escrever um
texto, não qualquer texto, um que expressava sua relação com os amigos.
Jasmim correu para o encontro das pedras,
escreveu durante muito tempo, escrevia, lia e reescrevia, tudo tinha que estar perfeito.
Foram muitas tardes escrevendo, quando acabou colocou seu texto da caixa de
papelão confeccionada para aquilo e esperou. Teve dias que nem conseguiu comer
de ansiosa, seu assunto era o mesmo quando chegava nas pedras “O sorteio”. Quem
ganhasse teria como prêmio uma cesta, não era muita coisa, mas era uma cesta
com doces, toda enfeitada, alguns livros que ela não tinha como comprar e um
diário. Esse era o primeiro prêmio, havia mais dois, mas era apenas doces em
papel de presente!
O grande dia chegou, Jasmim mal
dormiu. Falaram o terceiro lugar, não era Jasmim, o segundo e também não.
Jasmim correu em direção ao banheiro, suas lágrimas brotando aos poucos, não
era possível ela não ganhar. Ela tinha certeza que conseguiria pelo menos o
terceiro ou segundo lugar, trabalhou tanto em seu texto! Perdida nos
pensamentos tropeçou em um garoto lindo. Ele a ajudou a levantar e anunciaram o
primeiro lugar. Jasmim começou a tremer, não conseguiu se mexer, ela ganhou o
primeiro lugar!
A professora de Jasmim puxou-a
para receber o prêmio, tirou uma foto com a professora e pegou seu prêmio; o
que ela não esperava é que seu texto seria lido para todos presente. Quando sua
professora terminou de ler o texto, podia ver os olhos daquela professora já
chegando aos 40 anos, com os olhos marejados. Todos aplaudiram o seu pequeno
texto. Em seu texto Jasmim falava de seus amigos “As pedras”, e que só eles a
entendia. As pedras clamam e ninguém escuta, ela sabe o quanto as pedras se
sentem só, elas nem podem falar, mas Jasmim tinha uma certeza de que estavam
vivas.
Após aquele dia, muita gente quis
ser sua amiga, o garoto lindo que ela esbarrou no dia da premiação se chamava
Eduardo, mas insistia que ela o chamasse apenas de “Edu”; Jasmim e Edu se
tornaram grandes amigos, ela até o levou para conhecer as Pedras...
- Melissa Moreira
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